terça-feira, 5 de agosto de 2008

Pastoral da Juventude: Vocação Missionária


Como sabemos, a Pastoral da Juventude nasceu, ou seja, teve seu Pentecostes, quando se tornou uma pastoral missionária. Já existiam núcleos pastorais que atraiam os jovens para seus grupos e ali procuravam evangelizá-los. Porém, uma pastoral que fosse ao encontro da juventude, em uma constante descoberta de sua vocação missionária, só passa a existir quando o jovem se descobre evangelizador de outros jovens. Mas o que vem a ser “missão”? Num breve resumo, missão é o caminho da Palavra de Deus percorrido de pessoa para pessoa, de comunidade para comunidade, de povo para povo. O objetivo da missão não é somente recrutar povos para a “cristandade”, em torno de Jesus Cristo. A missão tem uma finalidade mais complexa: REUNIR as pessoas, as mais diferentes, no Povo de Deus, COM Jesus Cristo e a CAMINHO de um Mundo melhor.
A Missão também teve um começo. Foi na madrugada do Domingo de Páscoa, quando Maria Madalena e a outra Maria foram ao tumulo de Jesus e o encontraram vazio. Ficaram surpresas e amedrontadas, mas logo veio a Boa Nova: “Ele não está aqui. Ressuscitou! Vão e anunciem aos outros”. E elas saíram correndo para anunciar aos discípulos (Mt 28,8). Aqui está o início da Missão.
Ser discípulo é ser missionário. Há outros significados para o termo. Os sábios gregos tinham seus discípulos, jovens que os procuravam para aprender sobre a vida e sobre o mundo; os rabinos, no tempo de Jesus, também tinham discípulos, homens que os procuravam para servi-los e ouvir os seus ensinamentos. No entanto, ser discípulo de Jesus era diferente: não era a pessoa que procurava Jesus para ser discípula dele, mas era Jesus quem a procurava e a chamava. Ser discípulo de Jesus não era sinal de prestígio social, pelo contrário, eles compartilhavam a sua vida pobre. Jesus procurava discípulos para prepará-los e enviá-los em missão.
A missão não nasce da leitura de um livro de teologia, nem mesmo do conhecimento da doutrina da Igreja, ela nasce do ENCONTRO com o Cristo vivo, presente por completo na Comunidade, formada pela eucaristia, pela Palavra e pelo próximo. Ao encontrarmos o Cristo, logo temos a sensação de que o teremos sempre sob nosso jugo, tentamos até aprisioná-lo em um grupo, uma teologia ou uma “igreja”. Mas os evangelhos nos mostram claramente no que implica tal encontro: “Vão por todo o mundo” (Mc 16,15); “Serão minhas testemunhas... até os confins da terra” (At 1,8). Sem o encontro com o Cristo vivo, não existe missão. Ser missionário é caminhar com Jesus e saber partilhá-lo com os outros. De resto, tudo é doutrinação, mercado religioso ou simples “marketing cristão”. Esse é o papel da PJ:
Propor aos jovens o encontro com Jesus Cristo vivo e seu segmento na Igreja, à luz do Plano de Deus, que lhes garanta a realização plena de sua dignidade de ser humano, que os estimule a formar sua personalidade e lhes proponha uma opção vocacional especifica (religiosa ou leiga). (Aparecida 446c).
O objeto da missão é o anúncio claro e direto de Jesus de Nazaré, o Cristo vivo. É anunciar seu nascimento, sua juventude, suas palavras, seus sofrimentos, o martírio e a sua ressurreição. Enfim, é proclamar essa verdade, a qual só o encontro pessoal com o Cristo pode nos ensinar, de sua divindade revestida de humanidade. A missão, então, é uma resposta a esse encontro.
A Pastoral da Juventude, ouvindo e atendendo à sua vocação missionária, dever ser PROFÉTICA, MILITANTE e SANTA. Para ser profética, precisa sempre confrontar a realidade com o Evangelho. Denunciar a miséria, a opressão e a marginalização, conseqüências do pecado individual e social, esperando sempre a Libertação Integral do ser humano. Para ser militante, deve ir além dos discursos e teorias sociológicas e teológicas. A práxis libertadora do Evangelho, que é a justiça e a caridade, precisa ser, antes de tudo, opção fundamental do missionário. E por fim, e não menos importante, a PJ deve ser santa. Santidade que nasce do encontro com o Cristo vivo, da oração, da partilha e, principalmente, das três virtudes teologais: fé, esperança e amor. Ser santo não significa ser “bobo”. Significa estar em comunhão pessoal com o Cristo, por todos os elementos citados acima. É assumir uma conduta condizente com o caminho a percorrer. É abraçar o Projeto de Jesus, dando continuidade, de forma atual, à sua missão. É por essa santidade que a Igreja se torna imagem viva de Cristo.
Sabemos também que ser missionário requer muita coragem, são muitos os obstáculos. Ao conhecer as experiências dos primeiros missionários, nos Atos dos Apóstolos, percebemos que quem se coloca à caminho sempre é mal visto por aqueles que querem apagar a lâmpada. Os primeiros missionários sofreram repressão dos chefes religiosos de Israel, que os proibiam de pregar. Foram perseguidos, presos e torturados. A Missão, porém, nunca morre. Matam o sonhador mas nunca o seu sonho. Muitos são os obstáculos: antes a idolatria dos deuses, agora a idolatria do capital, do mercado e do sexo; antes a distância físico-geográfica, agora a distância das portas fechadas e do medo. A missão é difícil, mas se acreditarmos na força do Espírito, que dá vida à Missão, ela sempre será vivida.
Ser Pastoral da Juventude é mais do que apenas sermos grupos de jovens; é mais do que gostarmos das mesmas músicas e termos os mesmos “ídolos”; é mais do que termos os mesmos sonhos. Ser PJ é ser comunidade evangelizadora, é dançar juntos ao som de qualquer música, é seguir os bons exemplos, é realizar os sonhos em mutirão, enfim, ser PJ é missionar em defesa dos jovens e em busca da Civilização do Amor.

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