quinta-feira, 29 de maio de 2008

Entre lutas, as dúvidas

Busco certezas, pois sou cheio de dúvidas,
Busco amar a vida, mas não temo a morte.
Desejo a paz, por não suportar a guerra,
Sinto falta do carinho, por ser essencialmente carente.
Busco a estrela em você, por sentir profundamente a sua ausência.

Este sou eu... constantemente me buscando,
E quando me encontro, verdadeiramente, então, me perdi.
Meu coração se entusiasma, dispara: é a paixão pela vida,
A descoberta do dia, a alegria de estar aqui, vivendo plenamente.
E em meio a tantas lutas, de medos e ausências,
Ainda sim, sinto em mim, o gestar da felicidade.

Maycon Mazzaro 29.05.2008

terça-feira, 6 de maio de 2008

A mágica canção indesejada...

O vento canta uma canção que há tempos insiste em me encontrar. Por mais que eu não queira ouvi-la, ela penetra meus tímpanos e toma conta dos meus pensamentos e, logo, de meus sentidos. Uma música cantada a uma só voz, que não se importa estar, ou não, afinada, só quer cantar a canção que quer ser cantada.


Penso em silenciá-la mas logo percebo que silênciar o vento é algo impossível, uma vez que, ao ser desafiado, ele vem mais forte qual um tornado. Penso, então, em fazê-lo prisioneiro de minhas aspirações. Novo engano, ele não se prende, não se pode prender o que é livre por essência. Chego à certeza de que a música não pára jamais, somente me deixa depois de já torturada minh'alma e, logo, volta e tudo recomeça.


Ja pedi a Deus que me ajude a interpretar tal canção da forma mais madura, porém, sinto que tenho de assumir essa dificuldade, pois, assim, tenho plena ceteza que ela se vai e não mais voltará. Contudo, se for embora, como as sinfonias sem os acordes, ficarei também eu sem as notas que harmonizam minha vida. "É ruím com ela, pior sem ela". Ninguém consegue sobreviver num mundo sem magia, sem o encanto que só a música tem. E essa é a minha música, escolhida a dedo, para tornar a minha vida mágica.


Maycon Mazzaro (março/2008)

terça-feira, 15 de abril de 2008

A arte da eterna novidade


“O meu olhar é nítido como um girassol. Tenho o costume de
andar pelas estradas olhando para a direita e para a esquerda, e de vez em quando
olhando para trás... E o que vejo a cada momento é aquilo que nunca antes tinha
visto, e eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial que tem uma
criança se, ao nascer, reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada
momento para a eterna novidade do mundo.” Alberto Caeiro

Torna-se muito difícil conjugar o passado com o novo. Ainda mais se esse passado não estiver, necessariamente, enterrado num cemitério abandonado. Precisamente, estamos no tempo e isso significa que caminhamos na medida em que ele permitir. Fora do tempo tudo se torna nada, no entanto, se permanece inalterado, torna-se eterno.
Em oposição, o novo é temporalidade. É o tempo em constante movimento e mudança. Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) casou, de forma brilhante, esses dois fenômenos: a “eterna novidade”. Isso é possível se olharmos e entendermos o homem como ser instável, ou seja, um ser em transformação. Tudo aquilo que se transforma, transforma-se em algo novo, isto é, uma novidade. Se existe transformação é devido ao fato de o objeto em constante mudança ser eterno, ou, pelo menos, ter uma longa existência.
No caso de Alberto Caeiro, o objeto mutável é o mundo, que se transforma constantemente (eterna novidade) causando no poeta o sentimento do nascer a cada momento, ou seja, de descobrir um mundo novo a cada instante de sua vida.
Podemos observar tal sentimento, ou percepção de Caeiro, no correr de nossa vida. Ao lermos um livro encontraremos nele uma mensagem. Se lermos diversas vezes o mesmo livro, teremos, a cada leitura, uma nova percepção dessa mensagem. Ao pintarmos um quadro estamos transferindo a ele nossos sentimentos, por isso, se pintarmos várias vezes inúmeros quadros, a não ser esse houver cópia, estaremos pintando diferentemente a cada um deles.
A arte, portanto, em suas mais diversas composições, transfigura o objeto existente numa outra realidade, que o faz renascer para o mundo. Esse “desvendar” do mundo existente, recriando-o em uma outra dimensão, mostra-nos que é possível tornar “eternamente nova” uma realidade, que não está fora da obra, nem mesmo está contida nela, mas é “a própria obra de arte”.

Maycon Mazzaro
15/04/2008

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