terça-feira, 16 de junho de 2009

Na Paz!

"É tão estranho: Os bons morrem jovens.
Assim parece ser quando me lembro de você,
Que acabou indo embora,
Cedo demais."



Faleceu ontem o padre e amigo Gisley. Assassinado brutalmente!

Não quero transformar este acontecimento em mais uma oportunidade para aqueles que culpam a juventude por todas as mazelas do mundo, criminalizando-a e esquecendo que a grande maioria dela ainda sente muito pela minoria que suja sua imagem.
Quero estabelecer um diálogo. Diálogo com o Criador.


"Meu Deus, sua misericórdia é sentida por todos nós.
Sua Paz nos abriga.
Seu Amor nos acolhe.
Sua Justiça nos encanta.


Abrigue em sua Paz o nosso irmão Gisley.

Acolha em seu Amor o nosso irmão Gisley.
Encante com sua Justiça todos aqueles que sentem a falta do nosso irmão Gisley.


Não seja o Deus dos ressentidos,
Nos dê a graça do perdão.
E na Liberdade que é tão sua...
Perdoe aqueles que nos tiraram o nosso irmão."

Gisley...
Na Paz meu irmão, a Esperança do Reencontro nunca morre!!!


Gisley Azevedo Gomes
+ 15/06/2009

quarta-feira, 27 de maio de 2009

CRUZEIRO CATÓLICO X COMUNIDADE CATÓLICA


Anuncia-se na Arquidiocese de Campinas um grande evento: O cruzeiro católico. Evento que acontecerá entre os dias nove e doze de fevereiro do próximo ano e que contará com a presença de padres-cantores, artistas católicos, além de centenas de padres que atenderão confissões, celebrarão missas e perderão seu precioso tempo, tão apertado para seus paroquianos, numa viagem de quatro dias com a nata dos católicos da região e até de outros estados. Evento grandioso para poucas pessoas, como toda e qualquer iniciativa de bons católicos. Inclusive, alguns padres de Campinas irão nesta viagem. Direito à folga e ao descanso, dirão alguns. Missão de evangelizar em qualquer lugar, outros responderão. Ilusão dos católicos desprovidos da mesma “fé” daqueles que embarcarão neste memorável acontecimento.

Por Arquidiocese de Campinas compreende-se, além de Campinas, as cidades de Elias Fausto, Hortolândia, Indaiatuba, Monte Mor, Paulínia, Sumaré, Valinhos e Vinhedo. Estamos inseridos numa realidade imensamente desafiadora, mesmo que para alguns esta palavra não passe de teoria. A grande maioria das comunidades da Arquidiocese é pobre e necessita de um cuidado todo especial, devido à carência de seu povo. Até mesmo muitas comunidades ainda não são assistidas pela Igreja Local. Ora, será que há algum tipo de engano nessa constatação? Será que estou enganado quando afirmo que centenas de fiéis, toda semana, saem de suas comunidades em direção ao centro de Campinas para poder encontrar algum padre para confessá-los? E aqueles padres que deixam a campainha tocando ou as pessoas batendo em suas portas até cansarem, pois precisam descansar, não têm tempo de atendê-los. Muitos desses padres irão ao cruzeiro. Como que por milagre encontraram tempo em suas abarrotadas agendas.


E o que dizer daqueles católicos que dariam tudo para poder encontrar o tal do padre Fábio de Melo? Ora, um ícone do presbitério brasileiro cuja fama chegou à maioria das casas de nossa pobre Campinas. Poderão eles participar deste evento? Penso que não, pois não possuem a “fé” financeira da nata católica, ainda trabalham todos os dias, inclusive aos finais de semana. Pobres católicos, não poderão participar de um cruzeiro católico. Outras coisas me incomodam, como por exemplo, aqueles padres que negam ajuda financeira aos grupos de jovens de suas paróquias, aos pedintes na porta de suas casas e nas escadarias de suas igrejas, aos vicentinos e à pastoral da criança, sem esquecer-se da tão maltratada catequese. De onde tirarão dinheiro para pagar esse passeio tão religioso e tão construtivo? Alguns pagarão em suaves prestações (prestações que poderiam suavizar a fome de muitos moradores de rua), outros ganharão entrada franca (vencidos pela soberba). E nosso povo – o povão mesmo – que mantém nossa Igreja viva, quatro dias sem seu líder espiritual. Se algum desses fiéis faltarem no trabalho, não receberão por este dia. Será que algum padre terá descontado quatro dias de seu salário? E tem mais os leigos católicos, fervorosos e ricos, que gastam em nome da fé, coisa linda de se ver! Quiçá possuam a mesma caridade quando lhes pedem um prato de comida. Muitos deles defenderão este evento como se fosse obra de Deus, desejaria que defendessem os filhos de Deus com a mesma intensidade.


Esta situação faz-me recordar as palavras de Jesus quando se deparou com o comércio no qual tinha se transformado o Templo Santo de Israel: “Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!”. Ou ainda: “... ai daquele que causar escândalos! Melhor lhe fora ser lançado ao mar com uma pedra de moinho enfiada no pescoço do que escandalizar um só destes pequeninos”. A Igreja (morada de Deus) transformou- se em comércio, em ponto de venda de mercadoria, sendo esta o próprio Deus. Percebo claramente que nesta situação, como em muitas outras, o dinheiro foi colocado como condição para a evangelização: se o tenho, então posso partir junto com outros que o têm; se não o tenho, então sou mais um dos milhões que ficam. No entanto, não é preciso que todos vão neste cruzeiro, ele não foi feito pensando em todos. Sim, disso eu já sabia, mas por que o título de católico? Cada dia que passa este título me deixa com mais vergonha. “Ninguém pode servir a dois senhores”.


Já nos dizia Paulo VI, em sua carta Octagesima Adveniens: “Os mais favorecidos devem renunciar a alguns de seus direitos, para poderem colocar, com mais liberdade, os seus bens ao serviço dos outros”. E mais contundente em sua encíclica Populorum Progressio: “Estará o rico pronto a dar do seu dinheiro para sustentar as obras e missões organizadas em favor dos mais pobres?” e ainda, “Quando tantos povos têm fome, tantos lares vivem na miséria, tantos homens permanecem mergulhados na ignorância, tantas escolas, hospitais e habitações, dignas deste nome, ficam por construir, torna-se um escândalo intolerável qualquer esbanjamento, qualquer gasto de ostentação...”. Vê-se que um católico de verdade deveria envergonhar- se de uma situação tão constrangedora como essa. Não só deste cruzeiro, mas de tantas outras formas de esbanjamento que padres e leigos católicos realizam durante todo o ano e todos os anos.


Como católico sinto-me profundamente decepcionado com este comércio em que transformamos a nossa Igreja. Dando mais importância à venda de CDs do que à reestruturação da pessoa humana. Estou envergonhado em saber que muitos padres apóiam este evento que só enriquecerá a agência responsável pelo passeio e de nada acrescentará à missão evangelizadora de nossa Arquidiocese. Sinto-me mais ressentido ao comparar o apoio dado a este evento com o apoio que nossas pastorais sociais recebem de grande parte de nosso clero. Infelizmente não entenderam o que Jesus queria dizer com estas palavras: “Avancem para águas mais profundas, e lancem as redes para a pesca”. Que este cruzeiro seja abençoado por Deus, pois somente ele é quem poderá julgar os atos e omissões de quem quer que seja. Mas que nossas consciências sejam aguçadas para refletirmos o principal objetivo deste “cruzeiro católico”, e para o que a Igreja está sendo usada.


Maycon Mazzaro

segunda-feira, 25 de maio de 2009

MÍDIA JORNALÍSTICA: PERVERSIDADE E FASCISMO

Em um país no qual a cultura é tratada como pano de fundo para interesses políticos, a oferta de lazer é restrita, a divisão de renda é ilusória e a violência nos espaços públicos é uma vergonha, resta à grande maioria da população buscar entretenimento e informações no ambiente seguro, e nem sempre confortável, de sua própria casa, por meio da televisão ou da mídia impressa.

Aparece aqui um gigantesco espaço para as empresas de telecomunicações, absurdamente controladas, em nível nacional, por apenas seis grupos, que recebem cerca de 90% da receita de publicidade na mídia. Tais grupos, formados por grandes monopólios e famílias influentes regionalmente, exercem um poder quase incontrolável nos meios de comunicação, inclusive no que diz respeito à representação política, tanto em níveis regionais como no nacional. Ora, é fato comprovado que os maiores responsáveis pela “conscientização” das massas são os detentores dos meios de comunicação. Ou seja, o mapeamento e o controle das consciências em nosso país estão em poder da “grande mídia”, do nosso Big Brother da comunicação, como também era conhecido o cartel formado, nos anos 80, pelas seis grandes empresas que dominavam a produção mundial de alumínio, lideradas pela Alcan – as Six Sisters.

No entanto, a discussão a ser empreendida neste texto não é acerca das grandes empresas manipuladoras, mas, sobretudo, dos benditos frutos de seu ventre: os jornalistas.

O papel (ideal) dos meios de comunicação é prestar um serviço social, informando e formando o publico para uma consciência crítica da realidade. Como em toda atividade profissional séria, existe um código de ética para regulamentar as atividades exercidas pelos jornalistas, contudo, apesar da abrangência desse código em relação ao direito à informação, defesa dos interesses públicos etc, há uma relevante crise ética no campo “comunicacional” que abala imensamente a credibilidade da imprensa em nosso país.

Parece que os jornalistas já são formados com o potencial de destruir a imagem alheia, principalmente dos que não se posicionam com a idéia do grupo empregador, e assim, propensos a serem inteiramente incoerentes com a ética jornalística e com sua própria consciência. Nota-se, cada vez mais, a debandada de jornalistas para o lado oposto do que outrora se ligavam. Por exemplo, ontem um jornalista de um folhetim do interior paulista defendia de forma contundente o tratamento imparcial devido ao cenário político; hoje, contratado por uma grande rede de jornal, comandada por uma importante família da elite paulistana, deixou de lado a imparcialidade e atacou, veementemente, o partido de esquerda de seu estado. Futuramente, como se vem mostrando no panorama jornalístico brasileiro, esse distinto profissional, se contratado por um jornal esquerdista, abrirá fogo contra o mesmo partido de direita que defendera momentos antes. Perversidade é o nome que dou a esta situação, não somente incoerência, mas, mormente, perversidade. O jornalista não tem ou não se interessa mais em defender sua opinião, ou, necessariamente, desconhece o sentido da palavra “ética”, prostituindo-se a quem lhe oferecer a melhor oportunidade.

Os profissionais do jornalismo no país, principalmente no escrito, aparelham os maiores disparates, sobre o signo de notícias, para manipular seus leitores. A denúncia descompromissada com a verdade e com o código de ética ocorre tanto no jornalismo impresso como no televiso, revelando a fragilidade e a parcialidade desses meios de comunicação. O denuncismo e o sensacionalismo são cada vez mais usados para “vender” a mercadoria das grandes empresas da comunicação, ora os produtos dos patrocinadores ora as idéias da classe dominante.

Verifica-se, no meio jornalístico, uma prática muito corrente nos regimes fascistas: a destruição da reputação alheia. Usa-se esta prática para atingir a oposição, seja ela política, ideológica ou comercial. Sua estratégia é, literalmente, destruir a imagem de políticos e outros jornalistas na tentativa de impedir a livre circulação de idéias. O traço que mais caracteriza o meio jornalístico atualmente é o autoritarismo disfarçado de democracia.

Na televisão, em todos os telejornais, há o especialista, ou comentarista, que envenena os telespectadores com suas opiniões descabidas, mostrando-se muitas vezes desconhecedor do assunto em pauta, e seus posicionamentos visivelmente alinhados com a idéia da empresa empregadora. Se não for desta maneira, o caminho mais rápido é a porta de saída, como aconteceu com a jornalista Salete Lemos, demitida da TV Cultura após uma contundente crítica a certos políticos e patrocinadores. No caso dos jornais impressos, não há muita diferença. As páginas dos principais jornais do país estão cheias de colunistas que se acham os donos da verdade, que têm como principal meio de trabalho a difusão de falácias acerca da vida de seus “Judas”, prontos para serem malhados. Tais jornalistas, que abarrotam as páginas da Folha de São Paulo, da Veja e demais “caudilhos informativos”, assinam o atestado de incompetência de sua classe profissional, mostrando que somente são capazes de informar e de convencer usando desse instrumento desprezível de comunicação: a conspurcação da imagem das pessoas.
Estes jornalistas cobram respeito à liberdade de imprensa, mas abusam de tal direito para destruir seus inimigos (que são inimigos das empresas que os contrataram). Julgam-se superiores por terem nas mãos o poder de manipular, mas não possuem a coragem de defender seus pontos de vista frente aqueles que podem garantir seu futuro profissional. Vendem-se como mercadorias baratas. Será essa a ética jornalística? Penso que não! Talvez esteja acontecendo com o jornalismo o que há muito tempo acontece com a política: “Enquanto o Czar estiver no poder, o defenderei até a morte. Mas, se Lênin conseguir derrubá-lo, serei vermelho até a sua morte”.

Assim caminha o jornalismo em nosso país, a partir do momento em que passou a ser chamada de mídia e integrou-se à sociedade do espetáculo e do poder. Perversa, enquanto formadora e manipuladora de opinião, objetivando o próprio bem; fascista, enquanto desvirtuadora e destruidora de consciências e de pessoas. Salvem-se quem puder!!!

Maycon Mazzaro

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